Titulo: Olhares
Data: 29/08/2007
Seu trabalho consiste na reflexão do segredo e da magia que reflete do olhar.
Por Mayra Kreisler
O artista plástico, Rogério Cyrillo começou aos 14 anos a esboçar suas primeiras pinturas. De classe média baixa naquele tempo, esse paulistano batalhou muito para fazer o que gosta. Filho de funcionário municipal e bancário, seu pai chegou a ter três empregos para dar conta do sustento da família.
Nesse período o artista resolveu procurar uma profissão como ele mesmo fala ‘mais segura’. “Precisava de algo que me proporcionasse um meio digno de viver, coisa que não acontecia com a maioria dos artistas na época”, explica.
Em 1975 começou a trabalhar em uma editora, no departamento de arte, lá conheceu todo o processo de confecção de uma revista, desde a redação até o produto final e tornou-se artista gráfico. “Cursei a Faculdade Belas Artes em São Paulo no começo da década de 80, e a pintura era feita paralelamente ao meu trabalho, estudo e diversão”, conta.
Em 1984, depois de trabalhar em revistas e agências de publicidade, tornou-se free-lance como designer gráfico e ilustrador, passou a dedicar mais tempo a pintura, realizou diversas exposições, ganhou prêmios. Nesse meio tempo pesquisou diversos materiais como: pedra, vidro e luz conduzida por fibra óptica.
Atualmente Rogério pesquisa a fusão de placas de vidro por aquecimento, uma técnica conhecida como “fusing”, usando o vidro como suporte para expressão artística, isolante elétrico e como condutor de luz conforme o princípio da fibra óptica, encaixados em alumínio fundido.
Com esta técnica ele cria esculturas com temas relacionados aos olhos e ao olhar, pois além de ser uma das ferramentas das quais utiliza é também a janela pela qual se comunica com o interlocutor.
Seu trabalho utiliza formas circulares presentes nos olhos para construir esculturas em vidro nas quais a dinâmica do ver e do ser visto se dá a cada instante. Seja na geometria das peças ou nos grafismos nelas presentes, o segredo e a magia estão no próprio ato de refletir sobre a importância do olhar.
Também cria peças utilitárias como mesas com pés de alumínio fundido, desenhados e moldados com exclusividade assim como o tampo de vidro fundido também com desenho exclusivo, portas-vitrais e janelas-vitrais, todos com trabalho artístico e manual.
“Escolhi o alumínio por sua empatia com o vidro, por ser um pouco mais mole e não o agride, suas dilatações se assemelham e a combinação dos dois materiais dá um excelente resultado estético tanto nas esculturas como nas peças utilitárias”, explica.
Ele vê no vidro a possibilidade de oferecer sempre novidades. Sua escolha do suporte está vinculado ao poder do material de gerar e multiplicar uma fascinação plástica. O trabalho nele realizado encanta, porque estimula o olhar do observador a refletir sobre a maneira de cada um ver o mundo.
Escolhi fazer o que faço e nisso reside à força para superar as adversidades e dificuldades desta profissão. Também acredito que a arte tem uma função muito importante para nós todos: a de expandir e deslocar nossa sensibilidade permitindo um vislumbre da grande e maravilhosa vida que nos permeia.
Com relação a ser artista hoje no Brasil, segundo Rogério o artista tem que ter mais de uma atividade, pois não há cultura de consumo de arte, o mercado é fraco e as oportunidades ficam com poucos. Para ele, a arte funciona como uma janela a ser preenchida.
Contatos com a artista podem ser feitos pelo telefone: (11) 6915-8535

   
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