O empresário e ex-presidente da Dedini Indústrias de Base, Dovílio Ometto, 89, morreu ontem, às 21h30, em São Paulo, no Hospital Albert Einstein, onde estava internado há aproximadamente 60 dias para tratar de problemas cardíacos, mas até as 23h57 de ontem a causa da morte não havia sido divulgada. O velório será no Salão Nobre Helly de Campos Melges da Câmara de Vereadores, das 11h às 16h. O sepultamento será às 17h no Cemitério da Saudade. Segundo a assessoria de imprensa, a companhia suspenderá suas atividades a partir do meio-dia para que os funcionários possam acompanhar o velório.
De acordo com assessores, o empresário teve um enfarte há dois meses e foi levado para o hospital em São Paulo, onde faria exames. Porém, ocorreram outros problemas e o empresário acabou falecendo por complicações cardíacas. Piracicabano, nascido em 14 de julho de 1918, Dovílio Ometto era engenheiro agrônomo formado pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). Era viúvo de Ada Dedini Ometto – com quem teve os filhos Mário, Cláudia e Juliana – e era casado com Carmen Ometto.
Orgulhava-se em dizer que seu único emprego foi na Dedini, onde começou a trabalhar na década de 40 a convite do Grande Oficial Mário Dedini, amigo e compadre de seu pai – o empresário Pedro Ometto –, fundador do negócio que acabou se transformando na Cosan, a maior produtora de açúcar do mundo, sediada em Piracicaba.
Em sua última entrevista ao Jornal de Piracicaba, publicada em 30 de abril do ano passado, dono de uma memória impecável e de um marcante bom humor, Dovílio confirmou que sua jornada de trabalho – apesar da idade – ultrapassava as 10 horas diárias. E disse, cheio de motivação: “Meu contrato com a Dedini vai até os 120 anos. Só paro de trabalhar quando morrer”. Questionado sobre o segredo para tanta vitalidade, disparou: “Gosto do que faço”.
No ano passado, Dovílio recebeu duas importantes homenagens em reconhecimento ao seu empreendedorismo: foi eleito o líder empresarial do ano do setor de bens de capital pelo Fórum de Líderes do jornal “Gazeta Mercantil” e recebeu a Medalha dos Bandeirantes, honraria concedida pelo governador do Estado de São Paulo, a partir de manifestação do Conselho de Honrarias e Mérito.
Otimista com o desempenho da Dedini Indústrias de Base – que espera faturar neste ano R$ 1,8 bilhão –, Dovílio manifestou em sua última entrevista uma preocupação, traduzida por ele como “expectativa”: encontrar uma forma de perpetuar através dos séculos o projeto iniciado há 85 anos por Mário Dedini.
Ao sabor das drásticas oscilações da economia brasileira e mundial nas últimas décadas, a Dedini experimentou o apogeu – especialmente no auge do Proálcool – e amargou sérias crises por atuar num setor ligado a commodities – açúcar e álcool. Na última década, com a recuperação do etanol, a empresa adotou uma série de medidas para reduzir sua vulnerabilidade, passando a atuar no mercado de bens de capital e promovendo uma forte reestruturação em seu quadro funcional. Membros da família foram afastados de suas funções – inclusive o próprio Dovílio, em fevereiro passado –, para dar lugar a executivos profissionais para cargos de diretoria.
Mesmo sem saber ou reconhecer, Dovílio dava sua missão por cumprida. |